"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

domingo, 7 de maio de 2017

amor


Jack Vettriano

Aproximei-me de ti; e tu, pegando-me na mão
puxaste-me para os teus olhos
transparentes como o fundo do mar para os 
afogados.
Depois, na rua, ainda apanhámos o crepúsculo.
As luzes acendiam-se nos autocarros, um ar
diferente inundava a cidade.
Sentei-me nos degraus do cais, em silêncio.
Lembrei-me do som dos teus passos,
uma respiração apressada, ou um princípio de
lágrimas,
e a tua figura luminosa atravessando a praça até
desaparecer.
Ainda ali fiquei algum tempo, isto é,
o tempo suficiente para me aperceber de que, sem
estares ali,
continuavas ao meu lado.
E ainda hoje me acompanha essa doente sensação
que me deixaste como amada recordação.


Amor, Nuno Júdice



lembrou-me, e bem, a Isabel Pires os textos de Nuno Júdice, excelente na arte de explicar e contar o que eu não sei. Procurei o que tinha guardado dele, e o porquê de o ter guardado. Nada acrescento, foi e é o que ele escreveu... e agora... por agora, é relembrar o bom do que ficou.



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