"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

quinta-feira, 2 de março de 2017

united colours.


Estou cansado. Um cansaço que começa a puxar a indiferença.

Quem me conhece sabe que não faço discriminação com base em sexo, cor, região, país ou zona do globo, nem na orientação sexual de cada um, e religião. Uns nascem brancos, pretos, amarelos, outros homens e outros mulheres, outros uma mistura, uns são das américas, outros africanos, uns asiáticos, uns ateus, cristãos ou muçulmanos, hindus, enfim.

Agora o que me cansa, são as quotas, a distinção por contraponto à discriminação, porque parece bem.

Vi um reportagem sobre os Óscares. Não foram os filmes candidatos aos prémios que me prenderam. O que me irritou foi a clareza com que se afirmava que o melhor colocado para melhor actor secundário era um jovem de origem indiana. Porque era bom? Porque a sua capacidade de representar foi notável? Não, porque era de origem indiana, e a academia provavelmente queria premiar alguém dessa zona e raça. Segue um mulher para melhor realizador, porque era excelente na realização. Não, porque era mulher,e elas não ganham muitas vezes o melhor realizador. Melhor filme um musical? Sim, porque já nenhum ganha faz tempo, se bem que se pesou se deveria ser a causa gay ou o argumento sobre racismo aos pretos. E resumem os filmes a isto... Ao lobby que representam. Pouco, muito pouco. Vai daí, deve ser por isso que simpatizo com o cinema cru, violento, e de final inesperado do Tarantino.

O próximo Nobel deve ser alguém da música, porque é bom, não porque temos que agradar, ou então um asiático, não porque seja bom, mas porque já faz tempo que não ganha ninguém daí...

Ora para mim, Óscares e Nobel, Grammys e prémios similares devem ser atribuídos sem discriminação de sexo, cor de pele, causa ou religião, mas sim porque quem ganha fez e faz um belíssimo trabalho.

E estou cansado, e escusado será dizer que não sei - nem quero - saber nada dos filmes dos Óscares. Nem de Grammys nem do próximo Nobel das letras.

miguel bondurant,
contrabandista

11 comentários:

  1. Faço minhas as palavras de Miguel Bondurant.
    Assino por baixo;


    Bom dia, conta corrente. :)

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    1. Bom dia Té

      Este miguel é assim... em dias bons assertivo

      :)

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  2. Qualquer prémio deve ser dado pelo trabalho do próprio, distinguindo-se dos restantes...se não for assim é apenas um teatro para ficar bem na fotografia!


    bom dia

    -___-

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    1. Mas é precisamente isso que se passa com estes prémios actualmente... logo são perca de tempo.

      :)

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  3. clap clap clap.

    muito bem dito, CC.

    obrigada pela partilha!

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    1. Vénia :)

      É o que é, e irrita. Desvaloriza os próprios prémios.

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  4. As minhas sinceras desculpas.

    Hindos... Em vez de hindus...

    À merda mais ao dicionário automático!!!

    Já alterei :)))

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  5. Concordo que os prémios devam ser atribuídos pela qualidade do trabalho e não em função do sexo, cor ou religião. Mas premiar "o melhor" também é algo de relativo. A subjetividade irá sempre impor-se e entre dois "melhores" quais poderão os critérios de desempate? :)

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    1. Concordo, o melhor será sempre discutível.

      Mas o tema é premiar sem ser por critérios de qualidade.

      :)

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  6. Assino por baixo, CC.
    Detesto quotas, detesto o premiar para não discriminar - que é uma discriminação afinal - e para mim às vezes pior porque dá ideia que é preciso quotas porque sem esse tipo de conceito não vão lá... é preciso premiar este ou aquele para se dizer (sim, apenas para dizer...) que se combate determinada ideia, preconceito ou afim, porque apazigua consciências simplesmente, porque na verdade nada se faz... a não ser não ser justo. Deviam ser provas cegas, aí sim se avaliaria o que se está a tentar premiar...

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    1. É isso mesmo uma outra forma de discriminação...

      ;)

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