"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

quarta-feira, 8 de março de 2017

teia



A aranha do meu destino 

Faz teias de eu não pensar. 
Não soube o que era em menino, 
Sou adulto sem o achar. 
É que a teia, de espalhada 
Apanhou-me o querer ir... 
Sou uma vida baloiçada 
Na consciência de existir. 
A aranha da minha sorte 
Faz teia de muro a muro... 
Sou  presa do meu suporte.

Fernando Pessoa
A aranha do meu destino



Ninguém gosta de falhar. Eu não gosto. Pior é falhar com as pessoas. Eu falhei, e pedi desculpa. Uma boa história, é verdade. Faço tudo por uma boa história. Mas ao misturar ficção e realidade, esqueci-me de que do outro lado há uma pessoa. Essa pessoa tem sentimentos, vive, e não pode ser manipulada em uma qualquer ficção. Não se faz, eu sei, é mau. Desculpas aceites, perdoado ou não, não sei. Nada mais posso fazer.

A tristeza recaí sobretudo porque falhei comigo próprio. Hoje voltei a lembrar este triste episódio.

Não há borracha que apague o viver, o bom e o mau.

miguel bondurant

A Vida em L. tem muito da vida real das pessoas, e tem muita realidade adaptada e ficcionada. Se calhar é uma boa razão para ficar na gaveta.

Mas voltando a misturar o real e a ficção, há uma alegria imensa em tudo isto. Afinal está perto o reencontro real com a Luísa da ficção. E há tanto para falar e contar. Com jeito digo-lhe quem é a Luísa.

O saudoso C.N. Gil escreveu uma vez que fazer um livro é 1% de inspiração e 99% de trabalho. Aqui o trabalho foi longe demais... e deixou-me cansado.

E depois há o blog que ficou, e há histórias a escrever, e uma ideia nova, mas deixo isso para outro dia.

Agora vou escrever, e aproveitar a tristeza do miguel e a minha alegria.

"sou uma vida baloiçada
na consciência de existir"

conta corrente


Estão bem o C.N Gil? E a Alaska?

É engraçado este hábito que ganhamos ao ler as pessoas nos blogs, e depois sentimos saudades.
Bom mesmo é ler os olhos de alguém :)

14 comentários:

  1. Se calhar é uma boa razão para não ficar na gaveta... digo eu. Por vezes, precisamos de personagens que se pareçam mais com as pessoas. É por termos conhecido tantas personagens demasiado perfeitas (para o bem e para o mal) que esperamos sempre que a realidade se assemelhe à ficção.

    Gosto também da imagem da teia, do poema de Pessoa e... o nome Luísa lembra-me alguém. :)

    Bom resto de semana, conta corrente.

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    1. Bem visto deep :)

      Sabe Luísa, Laura ou Leonor são nomes muito do meu agrado.

      Todo este post foi um mero desabafo, sobre parte da "vida baloiçada na consciência de existir". Sou um incondicional de poucas coisas, mas de Pessoa não abdico.

      Boa semana deep :) é muito bonito Luísa :)

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  2. também me tenho lembrado deles. somos todos parte da teia que construímos por aqui, neste mundo imaterial :)

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    1. é mais do que um hábito vir aqui ler os blogs. É algo de difícil explicação. Mas o que é certo é que de forma imaterial e, se calhar, irracional, ganhamos afecto a quem está do outro lado das palavras.

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  3. conta corrente, creio ser importante cultivar uma certa serenidade relativamente aos nossos erros. Ou seja, procurar não os cometer, ter presente os cometidos para não repetir, mas uma vez que erramos procurar resolver bem o sucedido no sentido de magoar o menos possível e não ficarmos amargos. Não ficarmos amargos parece-me ser de muita importância.

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    1. obrigado Isabel, as tuas palavras já inspiram serenidade.
      Foi um erro sim, e aprendi. Não fiquei amargo, às sinto é tristeza comigo próprio por errar assim com outros.
      Aliás, tenho até uma atitude positiva de alegria junto dos outros, para que também eles se sintam bem.

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  4. pois eu também gosto muito do nome Luísa :)

    e também gosto muito desta nossa família da blogosfera de quem me lembro amiúde

    Também ando à procura da Alaska...

    beijinho CC

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    1. Laura também gosto muito de Laura :)

      Tens razão às vezes parece uma família!

      beijinhos

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  5. CC, a Alaska está aqui. Às vezes ela zanga-se com as palavras e atira-as pela janela fora. Encerra os blogs. Já lá vão uma meia dúzia. Enfim. Não há nada que mude esta menina. Mas estou aqui. Ainda zangada com as palavras. Mas a fazer-vos companhia. :)

    Obrigada pelo carinho, muito. :)

    Deixo-te um beijo, CC. :)

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  6. Olá :) ainda bem que estás por aqui.

    Vai aparecendo aqui ou nos meus simpáticos vizinhos.

    As palavras são tramadas, mas assim que acabar a zanga - que seja rápida - mostro-te a tua nova casa ;)

    Espero que não estejas zangada com o violino!

    Beijinhos :) este post já valeu a pena!

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  7. Quem não falha CC? O facto de o reconhecer e pedir desculpa é o que distingue os seres humanos uns dos outros, se é que me faço entender. Muito bom. Abraço :)

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    1. GM do pedir desculpas ao outro não abdico.

      Já falhei muitas vezes, mais vezes irei falhar, mas fica sempre, de tempos a tempos, uma tristeza comigo próprio.

      Boas pedaladas :)

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  8. Há sempre uma parte de real na ficção. Qualquer semelhança entre uma e outra nunca será mera coincidência. E depois, quem não erra? Importa é reconhecer o erro e evitar repeti-lo.
    :)

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    1. :) Luísa

      Já disse que gosto muito do nome :)

      Reconhecer sempre e pedir desculpa também.

      Às vezes volta é a tristeza comigo próprio de ter errado... só isso :)

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