"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Vida em L


Vida em L

Retrata a vida de Ricardo Soverosa, num período particularmente conturbado, embora curto. A chegada da Troika, e as implicações sociais da mesma, coincidem com as mudanças da vida amorosa de Ricardo. De um relacionamento estável com Liliana Pontes, adquirido para vida, Ricardo apaixonar-se-á por Laura Pinto, pese embora fosse um amor impossível de concretizar. Redescobre o jogo bom da paixão. Perdendo Liliana e não podendo ficar com Laura, Ricardo é resgatado para a vida amorosa por Leonor Penha, amiga do passado, mulher linda e celebridade. Amor ao qual Ricardo nunca conseguirá corresponder, porque o seu coração, afinal, sempre esteve com outra mulher, pese embora o seu esforço de o negar. Luísa, grande amor da adolescência, está sempre presente em Ricardo ao longo desta aventura.
Esta história tem também pequenas histórias paralelas, que sobretudo caracterizam o impacto social da Troika, realçando o seu lado mais negro. E no fim, qual será o destino amoroso de Ricardo? Um homem que passou de certezas de amor a muitas dúvidas, marcado pelas mulheres de L, Liliana, Laura, Leonor e Luísa do passado. Um homem que tentando manter  o seu equilíbrio emocional, se confessa num blog anónimo. O que fará Ricardo, quando toda a sua vida fica ao contrário?

Sendo certo que alguns de vós já o experimentaram, senti um prazer enorme em criar, inventar e comandar as vidas destas personagens. Alegria sem paralelo, dar-lhes fala, prazer e angústias. Riscar e apagar, escrever e reescrever, não o consigo explicar, e nem quero. Para mim, criar esta história, estas gentes e diálogos foi um acto bom de prazer, totalmente egoísta. E se para mim nasceu, comigo morreria.

Caí no erro de deixar uma pessoa amiga levá-lo a um editor. Digo erro porque que o foi, não queria a aprovação de ninguém, não preciso de saber se é interessante para outros. Basta-me o prazer de o ter escrito. Em Dezembro fui contactado. Adiei por duas vezes. Lá fui ouvir. Acenaram com direitos, um incontável número de obrigações, e claro, a promessa de uma vida nova que não quero, agora. Com receio de estarem a cobrar um favor a terceiros, sozinho, enviei a história a outra editora, que se interessa pelo mesmo género. Duas semanas passadas, igual resposta. Não nego, deu-me gozo pessoal, sim. Fez bem ao ego e foi divertido, sim. Ponto.

Não me julguem mal. Eu sei que muitos gostariam de ter estas hipóteses, e eu estou a desprezá-las, mas disso não sou culpado, cada um é cada um. Não quero transformar um prazer em obrigação, estragando o prazer, e pior arriscando algo que implica o bem estar de terceiros.

As portas ficaram abertas, o futuro ainda ninguém o viu.



[excerto retirado do livro Inquietude, de Isabel Pires]

(...)

Há palavras que só vêm no tempo
das cerejas, cheias de promessas
a anunciar o calor agarrado
à esperança de um verão eterno.
Há ainda as palavras da inquietação,
há sempre inquietação,
inquietação: e aí estão elas, cruas
e cortantes como convém.

15 comentários:

  1. Em qualquer altura podes fazê-lo. Mas faz apenas se lhe encontrares sentido.
    conta corrente, obrigada pela referência ao livro e ao 'nascer na praia'.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sabes é mesmo uma questão de fazer sentido. Não foi escrito para outros, foi um exercício egoísta de prazer... Querem coisas que nada tem a ver com este meu exercício egoísta, não tenho tempo nem vida. E todos querem mudar o título, a bem do marketing... Qual marketing? O meu prazer não é um negócio.

      Olha já te tinha pedido permissão para usar e abusar do Inquietude, anda sempre comigo :) não há obrigado, por favor :)

      Eliminar
    2. conta corrente, ninguém precisa de me pedir autorização para usar o que já tornei público. Estando identificado, trata-se de uma citação e tudo está certo.
      Repara que também não se vai pedir ao Pessoa ou ao Júdice, que está vivo, para citar poemas deles, e são autores com "obra feita".
      Como já tenho referido por aí, é um gosto que tal aconteça.
      Tive até mais necessidade de dizer isto por causa de alguns entendimentos diferentes sobre o assunto que às vezes encontro.
      Também ontem me apercebi do uso de um texto meu, no mesmos moldes que fizeste, e fiquei contente, ainda mais pelo efeito surpresa.
      Bom dia!

      Eliminar
  2. Um dia, se fizer sentido, há-de acontecer, CC. Se assim for, quero ser uma das leitoras.
    Bonitas as palavras da Isabel. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Sabes fez bem ao ego, não o nego. Mas sinceramente agora não é a altura. Seria um trabalho na prática e não um prazer.

      :) Obrigado

      Eliminar
  3. Sucede que, normalmente, os livros que não são escritos para os outros, são aqueles que valem a pena ser lidos.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Oh simpática Pirata, sucede que isso é bem verdade, mas sucede que o garboso capitão deste barco resolveu continuar rumar a sul na demanda por águas calmas. A história está guardada, e será publicada à tripulação para os acalmar em dias de motim.
      :)

      Eliminar
  4. Meu caro CC,
    A sensação gostosa de que é possível adiar sem perder a oportunidade, nem sempre é nossa amiga.

    Um abraço.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Eu sei que há aqui um risco associado. Assumo esse risco porque estou a ser sincero quanto ao facto de não querer agora esse caminho.
      Mas falando mais sério, descobri que nesta área talento conta pouco, é tudo marketing. Isto é, se o texto tiver o mínimo de coerência, eles com marketing criam quase do nada um escritor.

      Eliminar
  5. Sair da gaveta pode ser o próximo passo, depois desta surpresa /estranheza inicial, depois de amadurecida a ideia!... faço figas :)
    Continuação de boa escrita, conta corrente.

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado Té :)
      Talvez seja isso, uma questão de amadurecimento da ideia.
      Entretanto, um dia destes, deixo por aqui a minha nova história.

      Eliminar
  6. É bom saber que se pode se se quiser, em não querendo faz bem ao ego de qualquer maneira. Talvez assim tenha só acumulado coisas boas :) sem ter de adulterar a essência do livro, que, mais do que palavras, é a sua intenção: escrever o que apetece como apetece. Não sei qual era o título mas a mim ficou-me o LP, o Ricardo em LP... nunca single :)
    Quando for altura de o lançar a vontade surgirá. E concordo com a pirata, os livros melhores de ler são os que foram feitos sem pensarem em ser lidos.
    Bom dia CC

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Obrigado
      Efectivamente não há certezas sobre uma publicação futura, a porta ficou aberta, mas não se sabe se o marketing e o timing do mercado o serão... Não importa honestamente.
      O título... LP não é mau, Ricardo em LP também não... Vida em L. fui eu... enfim foi um sem número de opções comerciais.
      Pois eu sei que essas histórias são as melhores, mas iria gerar um reboliço que agora não quero ;)

      Eliminar
  7. Se fizer sentido para ti, força!
    Se não fizer, não publiques.
    Ter um livro publicado não faz diferença, o grande desafio é escrevê-lo. :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Ah eu sabia que tu ias entender.

      É isso, o desafio, o prazer de escrever, de criar e dar vida e voz às personagens, é isso que me interessa.
      Não quero saber, da publicação ou da parte comercial, não agora, neste momento.
      Obrigado :)

      Eliminar