"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

sábado, 11 de fevereiro de 2017

pudor


pudor
Óleo de Luis Serrano

Sempre senti algum pudor no que a manifestações, gestos, de amor diz respeito junto de terceiros.

Para mim demonstrar em público, à mulher amada, o meu amor, passa por dar a mão, um abraço, um discreto beijo, ou um elogio.

Que não se confunda pudor com puritanismo. Admito, pode haver aqui um pouco de timidez. Admito, sou parco em demonstrações de amor... Muito mesmo.

...Epá agarrada ao miúdo como se não houvesse amanhã, até a malta em volta já olhava de lado...Foi triste...

Seguiram-se os comentários jocosos, muito próprios do universo masculino descontraído em torno de um copo de vinho. Mudei o tema para o futebol, estava envergonhado, afinal conheço a mulher em causa. E se os homens acham graça, muitas vezes, a mulheres infantis e de pouco pudor, quando algum diz que era exagerado, é porque efectivamente o era.

miguel bondurant
contrabandista


4 comentários:

  1. A discrição parece-me muito bem. :)

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  2. Eu também tinha. Talvez porque sabia que não eram as relações certas, constrangia-me e evitava. Lembro-me que a primeira vez tentaram dar-me a mão, entrei em pânico, e a pessoa teve de apertar a minha, para não fugir.

    Hoje não. Talvez porque esteja numa relação com tudo e saiba que o outro lado também está, andamos sempre e naturalmente de mãos dadas, damos beijinhos em todo o lado e enjoamos toda a gente. :D

    Não é forçado, acontece ser assim. E eu não desgosto. ;)

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    1. Na generalidade concordo.

      Esta situação em concreto, estravaza a simples manifestação de amor, era exagerada, ao ponto de incomodar as pessoas em volta.

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