"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

L.


Michael Dweck 

L.

Enrosca-se. Aninha-se.
Dobra-se em feto. Forma a sua concha.
Refugia-se. Esconde-se.
É o cansaço.
É um corpo exausto por uma mente insaciável.
Quer dormir.
Não dorme.
A catadupa de pensamentos vorazes não dá descanso à mente, e esta não dá descanso ao corpo.
Quer dormir.
Como não tem controlo, chega a dor.
Aquela dor no peito que não é física.
Tem nome esta dor, é tristeza.
É o presente em dor, por um passado que nunca foi presente, e um futuro que não sendo como o passado será triste como o presente.
E dói.
Muito.
A tal ponto que falta o ar.
Tudo isto porque no passado eras meu, eras tudo.
Não havia tempo sem ti.
Disseste-o em grito.
Audível.
Finalmente as lágrimas libertadoras, que libertam ar, que libertam tudo.
A dor passou.
Finalmente dormiste.

Nunca dia seguinte, quando me contaste, queria dar-te um abraço. Afinal conheço bem essa dor. Afinal fui eu que te a criei.
Ainda escrevi que te amo, de outra forma, mas amo. Não te disse.

conta corrente

adaptado de "Vida em L.", romance  de ****** ******, aka conta corrente ou miguel bondurant, ainda por publicar a pedido do autor, o que será outro post explicativo.

12 comentários:

  1. Então que venha o livro, conta corrente!

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    1. :) é outro post... a fazer.

      divertido tem sido, sem dúvida.

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  2. ( pego no final do texto)... Não disse, mas vai dizer?

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    1. disse luisa pese isso não tenha sido grande consolo para a L.

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  3. Por momentos, ao ler, achei-me na L., sem a última frase...
    Livro, hein? Muito bem, esperemos por esse post então ;)

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    1. Também vais ter o teu sono :)

      pois livro... enfim

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