"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

desassossego


já o li duas vezes. muitas mais o irei ler. está todo escrito, reescrito, sublinhado e gasto. é um tesouro emocional de mim mesmo, uma versão só minha. guardei-o.

hoje, numa fuga rápida, comprei um novo para ler. irá ser uma nova versão, minha só minha. ali escreverei e riscarei o que a ninguém conto.

das razões do meu desassossego, fica para breve...


conta corrente

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Manta de retalhos

manta de retalhos de todo o tipo, de retalhos



deitados naquelas tardes.
o tempo parado, como que esperando por nós.
cada um costurando, com a agulha de uma vida curta ainda, um pequeno retalho de si no bocado do outro.
a manta crescia, lenta como as tardes, dos sonhos e confissões de ti e de mim.
as linhas da costura dos sonhos entrelaçavam-se.
nascidos um para o outro.
o plano era a manta tapar-nos, até ao fim da vida, aqui pela terra.



a manta ficou a meio, e ainda, mais tarde, cresceu um pouco.



hoje, já não me lembro das suas cores vivas. hoje é cinza, mas bonita, como qualquer amor feito para a eternidade...
é o amor, o eterno, é cinzento.


nunca mais costurei.

conta corrente

sábado, 7 de janeiro de 2017

Time moves slow


Alimento vem do Sol que nasce e se põe. Vem da Lua que aparece e se esconde. Nasce sal da espuma das marés que não acabam. Contemplo mulheres, e perco o tempo em horas platónicas de amor. Junto letras, e histórias únicas, o círculo a fechar em meu redor...

Se juntar Lisboa, e o seu Chiado, uma boa refeição, e a companhia perfeita, o círculo em meu redor ganha cor. Não defini a cor, mas acalma. Aprimora-se com uma delonga pelas livrarias, folheio Pessoa e com ele bebo café. Apalpo livros, como se matéria viva fosse. Perco as palavras na beleza da vista do miradouro, para as encontrar na beleza do teu rosto, de corpos a pedirem entrega e no gosto do beijo perdido.

E foi um dia bom,
no descanso do que luta,
porque nestes dias
time moves slow.

conta corrente


Bairro do Avillez à Rua Nova do Trindade

Manjar simpático em companhia divina

Pormenor da Brasileira onde, como sempre, bebi café com o Pessoa

IV (Four) de Badbadnotgood, álbum do ano na Antena 3
Mimas-me com prendas


Time moves slow 
Badbadnotgood

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

a sorrir

Frank Sinatra 
Monte Carlo, 1958,
by Herman Leonard  

Pega na sua melhor caneta de aparo. Abre o seu caderno preto, tipo Moleskine. O aparo encosta no papel de boa gramagem, um ponto preto cresce. Levanta a cabeça e pela janela mira o céu estrelado. Esta semana trouxe frio, mas também um azul de dia e um negro salpicado de estrelas à noite. O CC sorri. Ao ver as estrelas, recorda que 2016 foi um ano com estrelas na sua vida. O novo amigo cantor, e segundo ele, um fantástico escritor da vida dos outros. A mulher de sonho, estrela de televisão, que ganhou espaço no seu pequeno coração. Retrai o aparo. Ela não gosta de se ver no blog. Volta a sorrir. Repara no seu portátil do trabalho. Sorri pois claro. O CC lutou muito este ano. Não esquece aquela fantástica  mulher que conheceu. Aquela em quem viu o que ninguém vê. Sorriu. Afinal foi um maravilhoso se. Vai guardar essa história. Preparou um conhaque. Recordou coisas más de 2016. Aquela recaída foi o pior. Mas, voltou a sorrir. Recostou-se na cadeira, para ele 2016 fê-lo mais forte. Levantou-se e foi à sua varanda. Acendeu a cigarrilha. Largou o fumo lento, arrastou para perpetuar o momento. Os filhos, o que cresceram em 2016, arrancou-lhe novo sorriso. São o melhor do mundo. Voltou para a mesa. Ia escrever. Foi a grande conquista do CC no ano passado. E voltou a devorar livros, romances, o Saramago e o Pessoa. Nisto o CC olhou para mim, de dentro para dentro. Então e  este grande conforto. A Isabel Pires, a Laura Ferreira, a Carla simples, o Manel Mau Tempo, a AC, a ana, a Alaska, o Observador, a deep, o  Impontual, a luisa, a Gaja Maria, o FATifer, a noname, a beijo molhado, a Cuca a Pirata, a Helena, o Poeta, a Maria, a Sandra Louçano, a Tétisq, a S, o Antunes Ferreira, a Fátima Abreu Ferreira... tantas razões para sorrir. Onde andará o C.N Gil?

Depois pensou: que todos tenham um bom 2017 assim, cheio de razões para sorrir, como foi 2016.

Voltou para as leituras e para a escrita, o seu pequeno mundo encantado, de personagens e histórias.

miguel bondurant,
contrabandista