"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

sábado, 3 de dezembro de 2016

Teus olhos que entristecem


Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.

Continuo a falar,
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir de tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"






Que bem que sabe. É a chuva, enrolada no vento, que bate na janela. Este som de Outono, que acalma. E se preciso. A minha poltrona, já gasta, junto à janela, já comida pelo meu sossego [necessidade]. O pé alto na sua luz suave. E o Pessoa no colo. Vejo estas palavras. É de ti que me lembro. Tu ó força menor da natureza, que nunca me escutaste. 

3 comentários:

  1. Caro Correntamigo

    Pessoa é... Pessoa e tu mereces aplauso por o transcrever.

    Abç do Henrique, o Leãozão

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