"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Rimas do passado, sobre o hoje


Mary Ellen Mark, 1969

Sonhas
Não olhas em concreto
Demoras no passado, lento
Mudavas tudo
Mudavas nada

Trabalhas
Compraste uma vida
Não é a tua, estás em dívida
Cumpres o contracto
Pagas um pacto

Choras
Ouves um adágio
Ensurdecedor tic tac do relógio
Marca os dias que não param
Enroscaste nos dias bons que passaram

Rejubilas
Uma mulher, uma paixão 
O dom da vida, aumentou o coração
És igual aos demais
Não pedes muito mais

Tens uma vida boa
Que ninguém te a tira
Que a outros nem ecoa
Verdade ou mentira?

Rimas de 2001 sobre o hoje, e provavelmente sobre o amanhã também.

6 comentários:

  1. E não cabem a quase todos nós, estas rimas? O mundo tornou-se um sorvedouro!

    Beijos, CC :)

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  2. Quando me ponho a ler caderninhos do passado riu (e choro também, mas não é para agora) muito.
    Encontrei está presunção de rimar de forma simples o futuro.
    Se calhar generalizei na altura para não falhar por muito :)
    Beijos Maria

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  3. Trocaria talvez o ter encontrado uma mulher por ter encontrado um homem (não sou assim tão moderna ;).

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    Respostas
    1. Em 2001 já havia esses casos. Agora estão legalizados :)

      Já percebi que usei critérios de futurologia demasiado latos.

      As rimas servem a todos :)

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    2. É assim que se cria literatura. ;)

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