"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

O Setembro das promessas

Gosto de esplanadas,  de ver quem está e passa sem estar a ver. É a hora das memórias. Sabe bem. O passado será sempre, o meu presente, e parte do meu futuro.

"E já chegou o Setembro." - atira a dona da esplanada a piscar-me o olho, enquanto serve o café.

Setembro será sempre o mês das promessas. Faz 12 anos que me encheste a cabeça delas.

Quem ama acredita. Quem ama anseia as promessas do outro. Será sempre assim.

"Vou tratar de tudo. Depois seremos só nós dois para sempre.". A maior de todas as promessas. A promessa de felicidade eterna.

Mas quem ama não vê mentira. Quem ama é cego.

Em Outubro faz 12 anos que fugi daí. 12 anos que não te vejo. 12 anos em que não acredito em promessas, e não as faço. 12 anos em que não passa um dia em que algo, ou alguém, não me faça lembrar de ti. Até um simples "e já chegou Setembro".

É a vida que nos faz.
Apreendemos a viver com essa regra.

Ontem foi isto. Hoje não sei. Amanhã logo se vê.

E porque não há coincidências, ontem ao fim do dia alguém me dizia:
"Não gosto de promessas... não gosto porque passei anos a ouvir palavras lindas que o vento levou. Não posso prometer nada a ninguém... a não ser a mim própria."
E eu não sei!

2 comentários:

  1. conta corrente, o para sempre e a felicidade eterna é algo que ninguém pode prometer. Há tantas variáveis...Como alguém se atreve a prometer o que não pode?

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    1. Pois como se atreveu? E pior acreditamos! É assim. Viver e aprender. Também só caímos uma vez.

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