"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Mais uma carta que não seguiu.

Até começou como carta. Mas como muitas outras não seguiu. Acabou numa discussão interior. Foram tantas que não seguiram.  Esta segue hoje incompleta, como eu sou sempre. É fantástico como esta cena da vida real se repete em mim.

Qualquer sítio, qualquer dia de qualquer mês de qualquer ano,

escrevo ao som das lágrimas que me caem. Só tu me fazes chorar. Só tu tens esse poder.
Fugiste de mim. Ou nunca cá estiveste? Já. Eu sei que sim. Há coisas que nem tu consegues esconder de mim. Eu sei que sim. Mas fugiste.
...

Ao espelho:
Dei-te tudo e nada prometi. Se calhar foi isso. Devia ter prometido? E tu prometeste? Não?
Porra estou triste. Nem em português há palavras que falem o que sinto.
Onde é que eu errei? Mostrei-te tudo. Achas que menti? Não. Era para sempre? Acho que sim.
Mas porque motivo sinto esta dor, é quase física, no coração?
Porra estou triste. Muito, mesmo.
E agora faço o quê? Amo-te sozinho, em silêncio durante a noite. Até quando? Será melhor fugir também? Se fugir não volto. Fico com a dor ou ela desaparece? Não creio.
Porque motivo estou a escrever te? Não te encontro.
Quando é que isto vai passar? Onde é que eu errei? Porquê a mim?
Porra já nem uma carta é.
É um monólogo de perguntas ao espelho.
Afinal faço o quê?
Porra.

N.A: para evitar comentários desnecessários, informo que é um texto que parte de uma realidade que foi um pouco imaginada e ficcionada. Mais, a carta não seguiu.

2 comentários:

  1. Não há palavras em língua nenhuma que definam o que se sente!
    Se houvesse os poetas perdiam a razão de existir!

    :)

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    1. Estás em todas. Ainda bem.
      Sabes aqueles momentos em que não encontras as palavras? São estes... estas dores não se traduzem em palavras.

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