"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

História de uma relação Parte 2

Resolveste escrever-me. Desta vez não era para falares do teu mundo. Desta vez eras tu a sair da tua zona de conforto. Desta vez não era uma inércia. Escreveste para falar de "nós". Não era inércia. Tu ao fim de todos estes meses a escreveres sobre "nós", passaram meses, meses, e agora pensas em "nós". E agora escreves que "nós" seríamos perfeitos eventualmente. Que sonhaste tu e eu. Agora.

Disse te que ia pensar. E pensei. Neste caso, era voltar a pensar. Pesei razões e o coração. Revivi. Mas o que eu queria mesmo saber era se tu ias fazer alguma coisa. Saber se a tua inércia de tudo, e sobre "nós" ia mudar. Pressionei. Sim é verdade. Mas tu nada. Ias escrever-me sobre os teus medos em relação a "nós". Houve um filme e até hoje sobre os teus medos nada... Pressionei. Não dizias tu, disse-te eu as minhas razões e o meu coração.

Das minhas razões, para o "nós" não ser nada, disse que eras inerte. Que me mentes ou omites coisas com medo da minha opinião. Que só queres o conforto da minha companhia, não quando eu quero, só quando te apetece. Que vales pouco, só deixas passar o tempo, não ages por nada. Não largas a tua zona de conforto. Vais te bastar a um mundo pequeno,  o teu, a tua história será banal e igual a tantas outras.

Do meu coração disse que éramos perfeitos, que há anos que não encontrava uma pessoa assim, que só um sonho nos poderia retratar. Disse que adorava os teus olhos, que gostava de ficar só a olhar para ti, de te abraçar, que te daria todo o carinho do mundo. Que iriamos cozinhar, dançar e viajar juntos. Íamos partilhar a manta no sofá.

A vida é curta. A minha é mais.

"Neste momento não consigo visualizar-me nessa luta... apesar de todos os sentimentos..."

Daí para a frente ainda perguntei porque me tinhas escrito sobre "nós":
-Para dizer o que penso.
-Pensas isso muito bem. E depois.
-Tudo igual. Mais do mesmo.

Discussão... discussão...

Ainda atiraste: "se queres algo concreto agora". Interrompi e disse que não. Já não queria, e expliquei que isso foi no passado. Agora só queria mesmo perceber se ias fazer algo diferente. Só isso, e se sim, talvez o meu coração voltasse a pensar igual ao passado.

"Já percebi" e "Mais uma vez desiludido" ainda disseste.

E é isto.

Espero que no teu mundo, esse teu outro, sobre o qual mentes e omites, te possa dar mais do que eu.

Sou um homem temporariamente só, o que significa que há partidas e regressos. A vida é curta, a minha é mais. Vou-te escrever para te dizer que como teu único amigo aqui estarei quando quiseres conselho e partilhar. Quanto ao "nós" quando quiseres, no teu tempo, e se for para ser diferente, sem inércia, cá estarei como homem temporariamente só.

Sem comentários:

Enviar um comentário