"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

História de uma relação Parte 1

A propósito desta relação, volto sempre, desde há 20 anos para cá, aos Homens Temporariamente Sós dos GNR. Gosto da música, e a letra faz tanto sentido em mim. Prometo não falar de amor de gostar e sentir / Portanto não vou rimar com dor um mentir / Joga-se pelo prazer de jogar e até perder. Os Homens Temporariamente Sós serão sempre umas cabeças no ar e preferem perder diz a letra. Eu diria sempre desfasados,  sempre fora de tempo, nas relações. Mas pouco importa, há Partidas regressos conquistas a fazer, porque sem dúvida são bolas de ténis no ar.

Não foi quando te conheci. Foi quando olhei os teus olhos. Descobri um ser frágil, carente e triste. Não descansei, enquanto ao meu jeito, não descobri mais. Demorou meses, que os teus muros são altos de se escalar. Em simultâneo fui baixando os meus. Afinal qualquer relação é dar e receber. Descobri que a tua dor era igual à minha. Tão só uma relação do passado que teimava estar viva todos os dias. E se isso dói. Vi-me ao espelho. Não gostei. Eu era assim? Fui mudando, e mudei, não gostei de me ver em ti. Mudei.

Mas descobri uma pessoa fantástica. Na perfeição encaixavas em mim. Tinha encontrado o que tanto procurava. Não te disse nada. Nem valia a pena, tu estavas no teu mundo de pensamentos. Se hoje era difícil, há época as condicionantes das nossas vidas eram crivos apertados. Não te amei é verdade, mas sem dúvida que me apaixonei.

Tu estavas no teu mundo, naquele onde gostas de estar, e de nada fazer. Os dias foram passando. Fui percebo, com calma, que eras só um sonho bonito. Mas mesmo sem paixão, gostava de ti pela pessoa que eras. Quis ser teu amigo. Nem disso soubeste cuidar. Quis ser teu amigo e mostrar-te que podias fazer qualquer coisa por ti, que não fosse só o estar e o nada fazer.

Passou a paixão, a amizade era difícil, vergada à tua inércia. Pela velocidade dos dias fui me afastando. Eu mudado, a ver mundo com outros olhos. A querer fazer tantas coisas na minha vida pessoal, a organizar-me, a traçar planos e metas. A vida é curta, a minha é curta. Tanta gente para conhecer, tanto para ler, tanto para escrever. Tu continuaste no teu mundo, a ver e a nada fazer. Continuei a mostrar-te como estava o meu caminho, ideias e planos, cada vez menos ao sabor dos dias que iam passando. Sobre o teu caminho fui-me desligando suavemente, fui deixando de ler os teus olhos...
Chegados aqui o vazio estava perto. Eras cada vez mais uma boa recordação. Eras cada vez mais neblina e menos sol. Continuavas no teu mundo, a ver e a nada fazer. Essa atitude, quase de desprezo, foi acelerando tudo.

Continua já a seguir...

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