"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

terça-feira, 13 de setembro de 2016

Almoço contigo

Acabaste o almoço a dizer que daria um post. Aqui está, é  para ti. Nada direi que não te tenha dito a ti. Talvez não. No final veremos.

Verguei-me à tua insistência. Aceitei o convite. Lá aproveitei as minhas férias para ir a Lisboa ver-te.
Escolheste bem. Restaurante de chef consagrado,  e estrela michelin.  Sabes que adoro comida, sabes que sou conquistável pelo palato. Jogaste bem. Mais prendas. Sei que gostas de dar. Obrigado.

Avançaste rápido. "Como está a decorrer o teu plano familiar?" Respondi: "De acordo com o plano, por isso estou aqui." Ficaste feliz, o brilho nos olhos não engana. Era a resposta que querias ouvir.

Tu és figura pública. És apresentadora de TV. Menina do lifestyle e da moda. Uma das mulheres mais lindas de Portugal. Charmosa, bela, de linhas perfeitas(sem exageros de ginásio), cabelo negro, rosto de deusa grega, perfeita portanto. Sou homem, não sou cego. Sei que és bem mais que essa imagem.

Podes ter qualquer homem. Porquê eu? Porquê essa tua persistência? Sou banal. Sou normal. Sabes que fugi de Lisboa por isso mesmo. Cansado de beldades vazias, social inócuo e nocivo. Sim, sabes que essa não foi a principal razão. Isso sabes. A razão principal da fuga de Lisboa, não sabes. Mas insistes em mim.

Hoje gostei. Finalmente percebeste. Almoço sem forçar ambientes íntimos. Só conversar, explicar sem rodeios. Queres que fique junto a ti. Eu não te amo. Nem te conheço como acho que preciso. Tu estás determinada. Eu não tenho tempo para aventuras. Deste-me a mão.  Eu fugi. Voltei mais tarde. A tua mão estava lá. Vais insistir. E eu vou rejeitar? Não sei. Não há promessas, prometemos. Como és bela.

Passeio pela Baixa e Liberdade. Esplanada perfeita e discreta. És bela. Os olhos dos homens mentem menos que os das mulheres. Eu vi. És reconhecida. Logo eu que quero anonimato.

Pergunta armadilhada. "Amas alguém?". Respondi prontamente: "Não." Irreconhecível como mentiroso. "Quantas que não eu?". Engoli em seco, não te queria magoar, "Duas".

"Vou lutar por ti e vou ganhar."

Venham de lá essas espadas de insultos. Uma mulher linda, linda a sério, e aqui o... enfim eu, fico sem palavras.

Ainda está semana te vou voltar a ver.

Sou homem. Não sou cego. A tua persistência merece um prémio.

Beijo.

2 comentários:

  1. corajoso, teres escrito aqui isto.
    e bonito, também. :)

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    Respostas
    1. A reacção não foi má :)

      Vamos aguardar...

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