"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Vou apanhar ar. Pum...

A frase "vou apanhar ar" marca em mim o início de mais uma guerra entre a razão e o coração. E o apanhar ar aqui é literal. Telemóvel offline e uma caminhada sozinho. São os primeiros tiros da guerra.

Esta guerra, como sabeis de posts anteriores, não foi obra minha. É uma empreitada tua que me disseste que não acerto tudo, que tenho a mania que vejo tudo, e que estava cego num possível "nós".

É justo, já disse. As moedas têm dois lados, portanto vamos lá para a guerra. As guerras começam de duas formas distintas. Dissimuladas pela morte de um qualquer herdeiro, o que conduz a uma disputa de poder e terras, e algum tempo depois, depois da diplomacia, temos a Europa toda envolvida. Ou então, temos uma guerra com estrondo. Um lado bombardeia o outro, sem que esse outro esteja a contar com o barulho, e além das mortes destrói boa parte da sua armada. Tipo Japão a bombardear a frota americana em Pearl Harbour. Esta acaba mal, aliás todas as guerras acabam mal, sem pedir licença largaram 3 bombas nunca antes usadas, e com estrondo acabou a guerra. Tu resolveste começar com estrondo. Espero que não acabe com bombas atómicas na razão ou no coração.

A diplomacia andou a tentar fazer o seu trabalho desde o dia que me escreveste. Fracassou, claro está. Aliás só serviu para que a razão e o coração arregimentassem tropas e armas. A diplomacia dá tempo aos generais de cada lado para colocarem as tropas e definirem estratégias.

É curioso como a nossa mente funciona. Enquanto a diplomacia trabalhava em mim voltei a ouvir músicas do passado. Coisas barulhentas e pesadas, mas carregadas de sentimentos, como Pearl Jam, Nirvana, e bem barulhentas como Off Spring. Bem longe das músicas calmas e reconfortantes dos últimos tempos. Certamente a lembrar outras guerras.

A música de hoje, e já com a surda guerra a decorrer, é "Ouvi dizer" dos Ornatos Violeta. Só para conferir algum dramatismo.

Uma nota importante. Só tu poderás interromper o silêncio desta guerra. Só tu, que largaste o rastilho, poderás ser aliada das partes, o que fizeres, escreveres ou disseres podem ser armas novas à razão e ao coração.

As guerras não têm tempo de duração prevista. Esta também não. Baixas previstas há. Se ganhar o coração fará incontáveis baixas nas certezas da minha razão. Se ganhar a razão, só há uma vítima mortal, o meu coração.

Vou acreditar ti. Esqueço as tuas infantilidades. Tenho mais a perder que tu. Perdoa este sentido prático. Estou diferente. O meu coração está disponível, mas já não serve a qualquer uma.

Hoje é assim. Amanhã logo se vê.

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