"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

sábado, 27 de agosto de 2016

Para ti, sim para ti.

Eras tu a neblina, eras tu os raios de sol. Queres acreditar? Eu deixo. E porque não? Eu deixo. Será sempre assim. Escondidos e bem ao longe. Não vá a vida pregar partidas. Não vamos nós vencer medos, e preconceitos. É melhor não. Ao longe.

Gostas de te perder na minha conversa banal, eu sei. Até eu gosto da tua conversa banal. Passa rápido o tempo quando assim é. Com tanta conversa banal, conhecemos bem os nossos mundos. Por sinal tão iguais. Sabemos de mais. Eu sei. Era melhor não sabermos? Provavelmente. Poucos me fazem rir com gosto, tu fazes. Poucos me entretêm na sua banalidade, tu entretens. Poucos me fazem viajar, tu fazes. Poucos me ouvem, tu ouves. E também eu te faço rir, viajar, e sonhar. Tantos gosto iguais! Tão boa companhia. Chegaste à hora certa. Até nos defeitos... tão parecidos... hoje não é dia de defeitos.

O melhor de tudo isto é que ninguém sabe, nem sonha. Que nós somos assim, e melhor, que somos cúmplices... tão cúmplices. É como te digo, têm os olhos abertos, mas nada vêem. Sabemos bem os nossos pequenos tiques, os nossos pequenos sinais. Perfeito. Demasiado perfeito. Guardas tudo, estás atenta, falas pouco quando não gostas, dás a volta ao mundo para me perguntares qualquer coisa. Para ficares com a tua certeza. Não precisas. Já sabes a resposta. Eu sei. Sou igual.

Mas há muito por descobrir. Isso fica perdido em sonhos, que de manhã não lembramos, ou fingimos não lembrar. O melhor é o que fica por contar. Tanta timidez. Mas sabe bem. Eu sei. Sou igual.

Gosto da tua música, da tua conversa, do teu riso, do teu pensar, da tua aparente fragilidade, do teu pequeno caos, das tuas dúvidas, dos teus gostos, dos teus jogos, do teu ciúme infantil.

Amanhã... logo se vê.

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