"Se eu te pudesse dizer
o que nunca te direi,
tu terias que entender
aquilo que nem eu sei."
Fernando Pessoa

terça-feira, 23 de agosto de 2016

A Carta

Algures, 30 de Fevereiro de 2011

De mim para ti,

Entraste na minha vida como o nevoeiro que chega. De forma mansa, densa, lenta, fria, húmida, impercetível, e num silêncio forte.

Devia ter-te visto ao longe. Não vi. Se calhar fingi que não vi. Se calhar só queria deixar-me envolver no nevoeiro.

Depois descobri. Afinal não eras nevoeiro, eras a neblina da manhã do Oeste. E da mesma forma que chegaste rapidamente começaste a mostrar raios de sol, de um sol já alto.

Esses raios de sol, já quentes, mudaram tudo, chegaram devagar, mas ao meio-dia eu já era outra pessoa.

Agora só peço que o por do Sol não chegue. Não com medo da noite... mas com medo de que de manhã sejas só uma neblina, que não deixe ver o Sol no dia seguinte.

Para ti.

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